A Ata do Copom divulgada nesta quinta (14 de março) impõe um cenário preocupante para a economia e, particularmente, para o setor atacadista e distribuidor, que atualmente movimenta mais de R$ 170 bilhões. Ficou claro que o Banco Central deve aumentar a taxa básica de juros em breve. Por conta disso, é inevitável o temor de que a alta prejudique os investimentos e, por consequência, os resultados do setor.

Tivemos a grata satisfação de observar um tímido movimento de recuperação da indústria em dezembro e em janeiro. Ao lado da recente desoneração dos itens da cesta básica, a manutenção da Selic em 7,25% ao ano mostrou a intenção do governo de preservar o poder de compra da população e incentivar o investimento produtivo e não a especulação financeira.

Um movimento de alta, contudo, vai colocar por terra grandes avanços. Até porque a taxa atual, baixa para os padrões históricos do Brasil, é ainda uma das maiores do mundo. O controle da inflação é, certamente, uma medida positiva. Mas voltamos a um velho dilema, que contrapõe o controle inflacionário e o crescimento. Em todo o mundo, as economias em crise estão derrubando juros para tentar promover o crescimento de seus respectivos países. Aqui, por problemas estruturais antigos, juros baixos e crescimento andam sempre em lados opostos da equação econômica. E isso é um desastre para o país.

A ABAD tem lutado pela redução e simplificação dos tributos, mas também pela eliminação de outros gargalos que asfixiam o crescimento sustentado do país, como as deficiências de infraestrutura e o excesso de burocracia que dificulta a vida das empresas. A manutenção dos juros em patamares mais baixos parecia uma oportunidade de impulsionarmos o investimento produtivo e o consumo, mas, novamente, o fôlego foi curto.

Mais do que nunca se faz necessária uma atuação mais efetiva do governo para construção de um ambiente de negócios propício ao crescimento, em que as empresas consigam ser mais produtivas e competitivas, capazes de levar o país a um novo patamar de desenvolvimento, sólido e duradouro.

José do Egito Frota Lopes Filho

Presidente da ABAD – Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados